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A ARQUITETURA E O URBANISMO PARA TODOS

É simples e à primeira vista parece óbvio, mas a afirmação de que arquitetura e o urbanismo devem levar todos em consideração na hora do projeto muitas vezes não é colocada em prática ou levada a sério, especialmente no urbanismo.

O que costuma acontecer são projetos parciais, que privilegiem a uns ou outros, mas não a todos igualmente. Primeiro surgiu o hábito de projetar exclusivamente para os carros, esquecendo dos pedestres e bicicletas, por exemplo. Mas agora parece existir uma vertente de pensamento que tende a lutar contra os veículos motorizados, e isso é igualmente parcial.

O urbanismo dualista

Isso na verdade é reflexo do modo de agir e pensar comum em todas as áreas, sempre de forma dualista, onde um está certo e o outro errado, ou um é importante e o outro não. Sendo assim, a priorização de um grupo em relação a outro normalmente acaba sendo combatido com a inversão de prioridades, ao invés de se combater a priorização em si com uma visão mais ampla e abrangente, que acolha a todos, simplesmente todos de uma vez.

urbanismo para todosImagem: Pexels

A arquitetura para todos

Fica fácil perceber essa situação se falarmos do projeto de uma casa ao invés de uma cidade, por exemplo. Ao criar a casa para uma família, precisam ser levadas igualmente em conta as necessidades dos pais, dos filhos, dos animais de estimação, dos avós que costumam visitar. Mesmo se inicialmente tiver sido feito um projeto que considerou apenas os pais, não adianta fazer uma reforma que pense só nos filhos, tirando o espaço e as funcionalidades necessárias para os pais. Eles não estão errados por morarem ali e não devem ser abolidos ou tratados como vilões. A única forma de fazer um bom projeto é garantir, nessa segunda etapa, que o resultado final seja eficiente para todos. Se não existir espaços para brincadeiras, não adianta eliminar ou reduzir a sala pela metade, como se o projeto dos espaços fosse simples questão de matemática de áreas. É muito mais justo e eficiente repensar a casa como um todo, possivelmente criando novos espaços ou até mesmo repensando os espaços como um todo, alterando o mobiliário, reconfigurando o layout geral e as funções de cada ambiente. Isso muitas vezes pode ser feito sem grandes investimentos, é apenas uma questão de percepção e criatividade.

Urbanismo abrangente ao invés do urbanismo parcial

Da mesma forma, as cidades devem ser projetadas para as pessoas, e não só para pessoas que estejam andando à pé ou de carro ou de moto ou de bicicleta ou de ônibus. Na verdade mesmo, as cidades nem deveriam ser projetadas só para as pessoas, e sim para qualquer ser vivo que esteja passando por ali, até mesmo outros animais. Não tem sentido dar mais importância para uns do que para outros, esse é o ponto.

É assim que tudo poderia ser feito, incluindo a arquitetura e as intervenções urbanas. Sem conflitos, sem disputas, sem ressentimentos, apenas visando o bem de todos. Isso sim é uma mudança de postura que faz diferença.

Texto: Arquiteta Fernanda DG

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