POR QUE A ARQUITETURA É PARA OS ANIMAIS TAMBÉM

Existem duas ideias que podem fazer parecer que arquitetura para os animais não-humanos não faz sentido: Uma é que a arquitetura é só estética. E a outra é que só as pessoas têm sentimentos.

Por mim esses dois conceitos poderiam dar as mãos e explodir, pois nenhum deles é verdadeiro. Em relação ao primeiro, da estética como foco único da arquitetura, pode até ser que muitos façam realmente assim, e só pensem se a decoração ou a construção vai ficar bonita na hora de projetar. Mas existe muito mais a ser trabalhado e explorado, incluindo não só a funcionalidade mas também todas as sensações que os espaços são capazes de gerar, prejudicando ou estimulando o bem-estar de cada um. E só a arquitetura que considera todos esses fatores, além das questões técnicas, financeiras e ambientais, é completa.

E sobre o segundo, dos sentimentos dos animais, basta conviver com eles e ter um olhar minimamente atento para ver como eles são sensíveis. E dentro dessa sensibilidade, que pode ser em relação ao nosso jeito, barulhos ou situações diversas, tem também a forma como eles se afetam em relação aos espaços. Gatos costumam explorar a casa toda e escolher cantinhos especiais para brincar e outros para descansar, enquanto cães adotam lugares para deitar que sejam mais macios, altos ou que formem uma toca, por exemplo.

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Cada um tem o seu gosto, assim como nós, e ter cantinhos apropriados para esse gosto faz toda a diferença para eles, tanto em termos de conforto como de sensação de segurança e bem-estar. É assim para nós e é assim para eles também, não tem segredo.

Portanto, assim como é preciso analisar questões subjetivas na hora de planejar os espaços para as diferentes pessoas, é importante também ter em mente as preferências dos usuários de outras espécies e outras quantidades de patas, e projetar para todos.

Não se trata de humanizar cada vez mais os cães ou outros animais, criando soluções que alimentam a sensação de status ou diversão das pessoas mas que não fazem diferença para os animais, e sim de entender que eles são diferentes e por isso têm preferências e necessidades diferentes das nossas, mas igualmente importantes.

Felizmente, os animais vêm sendo cada vez mais considerados e acolhidos pelas famílias, e com isso está se perdendo aquela imagem de que para eles basta não tomar chuva e ter comida e água à disposição, e a arquitetura precisa acompanhar essa evolução. E em paralelo a isso, espera-se também que ela faça mais do que apenas pensar em formas bonitas.

(Veja também: “Cantinho para o banho dos cães“; “Móveis feitos para pessoas e pets“; “Projeto Abrigo Feliz“)

Texto: Arquiteta Fernanda DG

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