COMO FUNCIONAM AS RUAS COMPARTILHADAS

Ruas Compartilhadas ou “ruas partilhadas” são basicamente ruas sem faróis e sem separações nítidas entre o espaço dos diferentes veículos e dos pedestres.

Pode parecer algo muito perigoso ou então que só possa ser feito em locais onde todos tenham muita consciência, mas na verdade é uma ideia que já está sendo colocada em prática em alguns locais do mundo e que parece estimular melhores comportamentos e resultados a partir do aumento da responsabilidade de cada um.

Ao retirar as faixas, desníveis e linhas de demarcação, automaticamente cada pessoa tende a ficar mais atenta, pois não existe mais um caminho supostamente reservado e garantido só para ela. Isso reduz naturalmente a velocidade dos veículos e mantém os pedestres atentos. Em ruas com sinalizações e demarcações, as pessoas tendem a sentir uma espécie de garantia gerada pelo controle, e com isso se distraem mais facilmente e também aceleram mais, já que se sentem com o caminho mais livre.

ruas compartilhadas - Norrkoping SueciaNorrköping, Suécia

Além disso, as separações tendem a ser arbitrárias e não englobarem todos os usos e dinâmicas possíveis da via, fazendo com que a transgressão de algumas regras seja uma tendência em alguns casos, já que elas não correspondem às necessidades naturais dos usuários ou pelo menos não de todos eles. Em algumas situações o conflito de uso acaba sendo até inevitável, como em cruzamentos ou entradas de estabelecimentos onde não se tem opção a não ser atravessar faixas de outros veículos ou calçadas para ter acesso. E quando isso acontece, não é interessante que as pessoas estejam distraídas, na ilusão de estarem seguras e protegidas.

ruas compartilhadas - Drachten Paises baixosDrachten, Países Baixos

Nos locais onde essa solução foi implantada, os acidentes e o trânsito foram então naturalmente reduzidos e a sensação é de integração real, com todos os usuários mais conscientes e espontaneamente atentos uns aos outros. O compartilhamento livre dos espaços aproxima as pessoas através do contato visual e da percepção mútua, enquanto as delimitações pré estabelecidas tendem a criar uma postura mais acomodada e  infantilizada de cada um, apoiada no controle externo. É basicamente a mudança de um sistema paternalista para o de responsabilidade individual, que estimula o crescimento.

E outro aspecto muito importante a ser citado é que nos locais onde essa solução foi implantada, foram mantidas ou criadas também vias de circulação rápida, para garantir o deslocamento acelerado quando necessário, porém separado do uso local. Seria basicamente como manter as marginais e outras vias expressas da cidade de São Paulo funcionando de maneira mais livre, para veículos motorizados que precisem se deslocar em grandes distâncias e em maior velocidade, enquanto as vias de bairros ficariam mais voltadas para o uso local, com velocidades reduzidas e dinâmica integrada. Uma solução mais heterogênea, essencial para a dinâmica também heterogênea de uma cidade grande.

Texto: Arquiteta Fernanda DG
Imagens: Archdaily

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