SEGREDOS DE UM BOM PROJETO DE ARQUITETURA

Sempre insisto que arquitetura é mais do que simplesmente deixar as construções e os ambientes bonitos. E também não adianta só acrescentar que tem que ser funcional também. Claro, beleza e funcionalidade fazem parte, mas um projeto realmente bom é mais abrangente e envolve principalmente muita sensibilidade.

Para começar, é preciso ter um partido bem definido. “Partido” é um termo que aprendi na faculdade e que se refere ao objetivo principal do projeto, o conceito que norteia todo o planejamento. Por exemplo, pode ser a premissa de um projeto de uma casa que ela seja integrada com a natureza e tenha os ambientes abertos como se fosse um loft (Ver também: “O que é um Loft“). Ou pode ser o partido do projeto de um quarto que ele seja muito aconchegante e ao mesmo tempo bem clean e moderno. Um espaço comercial pode ter como conceito de projeto a transmissão da imagem do local, o estilo de trabalho oferecido. As possibilidades são muitas, mas o importante é ter uma linha de orientação no projeto, um ponto de partida para deixar as soluções menos aleatórias e fazer com que os espaços correspondam realmente às expectativas conscientes ou inconscientes de quem vai utilizá-lo.

É importante também, portanto, ter sensibilidade para captar essas expectativas, que às vezes são ditas claramente e outras vezes não. (Ver “A Psicologia da Arquitetura“). Normalmente, para o arquiteto ou designer, basta que o cliente mostre algumas fotos de ambientes que ele goste, faça alguns comentários ou fale um pouco sobre si que já é suficiente, dependendo do grau de percepção do profissional. Em algumas situações, o próprio contato com a pessoa já transmite questões mais subjetivas que podem ser traduzidas no projeto.

Essa mesma sensibilidade é capaz também de traduzir o partido e as expectativas pessoais em formas e composições harmônicas, que tenham equilíbrio e gerem sensação de bem-estar. É isso que interfere no resultado estético, porém se não existir todo o embasamento anterior o projeto fica vazio. Fica parecido com pessoas que são bonitas por fora mas sem muito conteúdo, sem “alma”, sem vida ou energia, como uma casca bem enfeitada.

Junto com tudo isso vem a tal da funcionalidade, logicamente, que abrange necessidades de uso, como os tamanhos adequados para garantir a praticidade e o conforto na utilização dos espaços, sempre prestando atenção aos hábitos e costumes específicos de cada pessoa ou situação.

E não se pode fugir das questões técnicas e financeiras, ou seja, o custo das soluções e o desempenho dos materiais e técnicas escolhidas, que precisam ser ajustados da melhor forma a cada condição. É uma espécie de fator balizador, que impede a criação sem controle do que se bem entender.

Alguns desses aspectos são muitas vezes negligenciados, e sua ausência acaba por criar aquela fama de que a função do arquiteto é embelezar e encarecer. Muitas vezes o próprio cliente procura o arquiteto já com essa intenção, como se fosse mero elemento de status. E pode ser, muitas vezes, dependendo do foco de cada profissional.

Para mim, o superficial não é muito interessante, em nenhuma área da vida. Todos os assuntos podem ser encarados com diferentes níveis de profundidade, dependendo do foco da nossa atenção, e na arquitetura não é diferente. E a presença de uma base mais consistente acaba fazendo diferença na utilização dos espaços de qualquer forma, mesmo para quem não está atento a isso.

Com todos esses fatores presentes, com um projeto bem fundamentado e resolvido, fica mais fácil pensar nos detalhes finais, nos acessórios que mantenham o partido do projeto e dêem o toque final, como a cereja no bolo.

Vale a pena mudar o foco e tomar mais cuidado com aquilo que criamos, em qualquer área. Espalhem o segredo e vamos criar espaços melhores para todos nós.

Texto: Arquiteta Fernanda DG

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3 comentários em “SEGREDOS DE UM BOM PROJETO DE ARQUITETURA”

  1. Olá Fernanda! Estou construindo e penso em um ambiente mais rústico e com uma área verde bem aconchegante… Não gostaria de algo padrão… Por isso, pensei em tijolos de demolição aparentes mas de tonalidades diferentes em ambientes diferentes, por exemplo, uma parede da varanda e pilastras claros, parede quarto/escritório escuro (cor de barro) e teremos 2 baywindows que gostaria de fazer a “base” tb de tijolinhos escuros. Nenhuma destas paredes estão na mesma fachada, no caso de uma das baywindows que estaria no msm campo visual da parede da varanda…
    Vc trabalha com assessoria, sugestão de materiais, combinações?
    Obrigada é bom fds

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