EXISTE ARQUITETURA ALÉM DA ESTÉTICA

Muitas vezes a arquitetura e o design focam só na estética mesmo. Mas isso não precisa e não deveria ser assim, e tem a ver apenas com o grau de profundidade que tratamos o assunto.

Em uma abordagem mais superficial, só se pensa no impacto visual das construções e ambientes, como se tudo não passasse de um desfile de moda, enquanto um foco um pouco mais aprofundado engloba também questões técnicas, funcionais e psicológicas. (Ver também: “A Psicologia da Arquitetura“).  O processo criativo pode conter com soluções inovadoras e abrangentes em termos de desempenho e impacto na vida das pessoas, independente do porte do projeto. (Ver também: “Arquitetura de Interiores Também é Arquitetura“)

Transcender não é negar

Isso não quer dizer, no entanto, que a estética precise ser negada. Normalmente ficamos em uma dualidade que exclui ou supervaloriza, e quando chegamos à conclusão que algo é pequeno e sem importância, temos uma tendência a repudiar a existência desse algo. É o que fazemos quando falamos de materialismo ou de vaidade por exemplo. Mas existe também a opção de simplesmente transcender esse assunto, incluindo na receita do bolo mas sem tratar como se fosse o único ou mais importante aspecto. Quando condenamos qualquer coisa continuamos dando a ela importância demais, inclusive, mas de um jeito negativo.

bolo casa - I cake youImagem: I Cake You

O papel da estética na arquitetura

A estética, dentro da arquitetura, poderia ter esse papel, embora seja tratada muitas vezes como se fosse o ingrediente principal. E o bolo acaba ficando seco, sem gosto, mas muito bonito.

Essa beleza é válida, pois contribui para deixar os ambientes agradáveis. Mas para proporcionar bem-estar de verdade não só os espaços têm que ser confortáveis e eficientes, como também a harmonia estética deve ser consequência de cuidados com equilíbrio e de uma percepção sensível de formas e cores. Ou seja, não é só pegar o que está na moda e tentar impor de qualquer jeito como se beleza fosse uma questão mecânica. A beleza de verdade, pelo menos, não é.

Imagem de capa: A Esthetics of Joy

Texto: Arquiteta Fernanda DG

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